Construí amigos, enfrentei derrotas, venci obstáculos, bati na porta da vida e disse-lhe: Não tenho medo de vivê-la. A. Cury

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Este blog é para aqueles que se interessam, como eu, pela Contabilidade e por seu desenvolvimento prático-teórico.

"Se um dia fecharem-lhe as portas da vida, pule a janela." (Augusto Cury)

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Em contábeis, auditoria é um dos setores que mais emprega e que paga melhor

Globalização fez aumentar a necessidade de mecanismo de confiabilidade. 
Controladoria e contabilidade de custos também oferecem boas chances.
Luísa Britodo G1, em São Paulo


Foto: Divulgação
Fachada da Faculdade Moraes Júnior - Mackenzie Rio
A área de auditoria é uma das que mais gera emprego e paga melhor na contabilidade. A afirmação é unânime entre os profissionais do setor, representantes de entidades e professores.

Responsável por analisar a gestão contábil de uma empresa e atestar se suas informações são corretas, o auditor vem sendo muito procurado nos últimos anos. Com o advento da globalização e a maior entrada de investidores internacionais no país, aumentou a exigência por mecanismos de segurança que garantissem a confiabilidade dos empreendimentos.

“As ações se valorizam quando a instituição faz auditoria e mostra que sua administração contábil é real”, afirma Maria Clara Bugarim, presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC). A legislação brasileira exige que toda empresa faça uma auditoria anual. As grandes entidades costumam passar por processos de análise periódicos e alguns permanentes.

A falta de um sistema de controle rígido causou escândalos econômicos nos EUA no início desta década. Em 2001, a indústria do ramo de energia Enron, então uma das setes maiores empresas do país, foi à falência após ser descoberta uma série de fraudes contábeis que maquiavam seu balanço e iludiam os investidores e acionistas. Depois disso, o governo norte-americano descobriu problemas em várias outras empresas e até criou uma lei mais rigorosa para evitar que o problema voltasse a ocorrer. 
Para José Antônio de França, presidente da Fundação Brasileira de Contabilidade, a internacionalização dos mercados, também exige profissionais especializados que tenham conhecimento sobre legislações internacionais e possam ajudar na negociação com indústrias estrangeiras. 

Ainda na esteira dos investimentos internacionais, os especialistas afirmam que um dos mercados que tem gerado demanda por profissionais é o das organizações não-governamentais (ONGs). Em geral sustentada por recursos de entidades estrangeiras, as ONGs precisam fazer uma contabilidade transparente de seus gastos para garantir os recursos, caso contrário perdem convênios importantes, pois as instituições exigem garantias de que o dinheiro está sendo utilizado no projeto indicado.

 Outros mercados

Além do trabalho de auditoria, a contabilidade de custos também tem gerado muitos empregos, segundo informações do conselho federal e de profissionais da área. A atividade consiste em administrar melhor os gastos e otimizar os processos para que haja economia sem comprometer a qualidade do produto. A controladoria, que atua junto à contabilidade de custos com o objetivo de passar informações ao gestor para que ele possa tomar decisões, também é tido como um setor valorizado.

Contábeis tem mercado de trabalho diversificado e boa empregabilidade


Lei exige que toda empresa tenha um contador. 

País conta com 5,1 milhões de unidades, e 200 mil profissionais.
Luísa Britodo G1, em São Paulo
Foto: Divulgação
Fachada do prédio da FEA, onde fica o curso de ciências contábeis da USP
Gostar de matemática e ser bom nas ciências exatas não são requisitos obrigatórios para ser um contador, garantem profissionais da área. Ter raciocínio lógico e saber se comunicar bem são características que se encaixam melhor no perfil do profissional de ciências contábeis, tema doGuia de Carreiras desta semana.

Nesta reportagem, você vai saber mais sobre as principais áreas de atuação e as que geram mais emprego. Leia também uma entrevista com Antoninho Marmo Trevisan, dono de umas das maiores empresas de contabilidade do país, com 16 escritórios no Brasil.

O contador é a pessoa responsável por fazer o registro contábil de uma empresa, acompanhar os dados e indicar qual regime tributário a instituição deve seguir, orientando o pagamento de impostos e a divisão de recursos entre os sócios. 

Profissional obrigatório em todas as empresas do país, das micro aos grandes conglomerados, o contador tem um mercado de trabalho que hoje conta com 5,1 milhões de entidades no país. Dessas, 98% são micro e pequenas, segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

As possibilidades de emprego são bem maiores que o tamanho da categoria que possui cerca de 200 mil bacharéis atuando na área, de acordo com o Conselho Federal de Contabilidade (CFC). “É um dos melhores mercados de trabalho. Melhor que administração e economia, que são áreas afins”, afirma a professora Christianne Calado Vieira de Melo, coordenadora do curso da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Segundo ela, muitos dos alunos já terminam o curso empregados.

As áreas de atuação são diversificadas e oferecem diversas possibilidades. O estudante pode optar por abrir seu próprio escritório, atuar em empresas ou tentar um concurso público. Veja as opções no infográfico abaixo.



Segundo profissionais do setor, cada vez mais o mercado exige que o contador tenha uma visão global da empresa e seja capaz de auxiliar o gestor nas decisões. “A contabilidade é um instrumento de gestão. O contador deve ter o papel de consultor do empresário”, afirma José Antônio de França, presidente da Fundação Brasileira de Contabilidade.

De acordo com profissionais do setor, um bom contador deve ter conhecimento multidisciplinar, saber interpretar dados e ser capaz de sugerir medidas necessárias ao melhor funcionamento da empresa. “Ele detém a informação e deve buscar melhorar a saúde financeira do empreendimento”, diz a presidente do conselho federal, Maria Clara Bugarim.

Outra característica destacada como essencial é a ética no trabalho. Os balanços contábeis e auditorias feitas por um profissional devem refletir a realidade da situação financeira da instituição. “Tem que ser um profissional compromissado em informar à sociedade sobre a receita patrimonial correta de uma empresa”, explica o professor Valmor Slomski, coordenador da graduação da Universidade de São Paulo (USP), primeira curso superior do país na área.

 Não é preciso amar cálculo 

Ao contrário do que muitos pensam, para fazer o curso de ciências contábeis não é preciso ser especialista em matemática, segundo professores e profissionais entrevistados pelo G1. “A pessoa vai usar o básico, as quatro operações, regra de três, razão e proporção”, diz o professor Antonio Miguel Fernandes, que ensina na Faculdade Moraes Júnior-Mackenzie Rio, é presidente do Conselho Regional de Contabilidade (CRC) desse estado e ocupa o cargo de gerente de auditoria do BNDES.

O aluno tem disciplinas de matemática apenas no ciclo básico, quando também são vistos conceitos de administração, economia, direito e fundamentos de contabilidade. Na parte profissional, os estudantes aprendem sobre as várias áreas da profissão.

A partir do quarto ou quinto períodos, dependendo da universidade, os professores aconselham os alunos a procurar um estágio. “É importantíssimo vivenciar a realidade na empresa, eles aprendem muito com o dia-a-dia no trabalho”, aconselha a professora Christianne Calado Vieira de Melo, coordenadora do curso da UFPE. No fim do curso, cuja duração varia de oito a nove períodos, os estudantes devem fazer uma monografia.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Contador tem que se dedicar bastante e ser atento ao novo, diz Antoninho Trevisan

Presidente de duas das maiores empresas de contabilidade do país fala ao G1.
Luísa Britodo G1, em São Paulo

Foto: Divulgação
Trevisan já foi reprovado em matemática no ginásio
Presidente de duas das maiores empresas de contabilidade do país, a BDO Trevisan, com 16 escritórios espalhados no território nacional, e a Trevisan Consultores, o contador Antoninho Marmo Trevisan, 57, se diz “um produto da ciência contábil”. Aos 13 anos, ele já sabia responder à pergunta “o que você vai ser quando crescer” e ainda na universidade começou a trabalhar numa grande multinacional.

Em 1999, ele criou uma faculdade que hoje conta com quatro cursos (contábeis, marketing, administração e relações internacionais) e diversas pós-graduações onde estudam 800 alunos. Nesta entrevista, ele fala sobre sua carreira, como é ter o próprio negócio e dá dicas aos jovens contadores.

G1 - Por que o senhor quis ser contador?
Trevisan - É uma explicação engraçada. Com 13 anos eu era office boy numa empresa e lá tinha um contador, que todo mundo procurava para tirar dúvidas sobre números, impostos, se informar. Achei interessante o fato de tanta gente procura-lo e pensei, ‘é uma profissão importante’. Todo mundo tem uma dúvida sobre contabilidade. Para você ter uma idéia, não há uma vez que eu vá num médico ou num dentista e eles não me peçam uma consulta.

G1 - Como começou a carreira?
Trevisan - Fiz curso técnico de contabilidade com 16 anos e depois fui fazer faculdade na PUC-SP. Aos 20 anos passei num teste e comecei a trabalhar na auditoria PriceWhitehouse, depois saí, trabalhei em outras duas empresas e voltei para a Price. Quatro anos depois me tornei sócio. No ano seguinte, vi que havia espaço para uma empresa brasileira e criei a Trevisan.

G1 - Como foi abrir o próprio negócio?
Trevisan - No começo era uma salinha pequena e eu trabalhava só. No terceiro mês contratei uma assistente e o negócio foi crescendo. Hoje somos 32 sócios. No início, fazia mais assessoria contábil e financeira e treinava profissionais para o mercado de capitais. Na década de 70, foi introduzida a nova lei das S.As e como entendia muito disso fiquei conhecido.

G1 - O que mais lhe atrai na profissão?
Trevisan - Gosto de fazer planejamento estratégico, de pensar uma solução para o meu cliente. Planos que reduzam custos da empresa e ela possa crescer e gerar empregos.

G1 - Há algo que não gosta de fazer na área?
Trevisan - No começo, achava ruim o fato de o contador trabalhar muito num período que todo mundo está de férias, que é o final do ano, porque tínhamos que fechar balanço, fazer inventário dos produtos e entregar documentos de importo de renda. Hoje não faço mais isso.

G1 - O que é preciso para ser um bom contador?
Trevisan - Tem que se dedicar bastante, ter capacidade de abstração, gostar de organizar coisas, interpretar fatos e, sobretudo, ser uma pessoa inquieta, atenta ao novo.
G1 - O senhor gostava de cálculos desde criança? 
Trevisan - Não. É um mito pensar que para ser um bom contador tem que gostar de matemática. No ginásio até fui reprovado em matemática. Não sou apaixonado por equações. O que gostava era de correlacionar dados, interpretar fatos e comparar números.